terça-feira, 28 de abril de 2015

Expocosmética'15, um ponto de vista diferente

Olá, como estás, tudo bem?
Hoje venho escrever sobre a Expocosmética'15 que aconteceu nos dias 25, 26 e 27 deste mês de Abril.
Já há muitos posts sobre este evento em outros blogs mas o que hoje venho escrever não é sobre o evento, nem sobre as marcas que estiveram presentes ou sobre os seus produtos, nem sequer das ofertas que me deram como blogger.
"Então sobre que raio é que vais falar?" estão vocês a perguntar.
Vou falar sobre os acessos para pessoas com mobilidade reduzida (a.k.a. em cadeiras de rodas) e sobre a comunicação com as pessoas com diminuição auditiva (ou mesmo surdas).
Sendo eu "utilizadora" destes dois problemas, ou seja, andando eu numa cadeira de rodas e tendo imensa dificuldade em ouvir/perceber o que me é dito, sinto necessidade de chamar a atenção aos organizadores de eventos para estas situações.
Por acaso a minha mãe foi comigo à expocosmética'15 porque senão eu não me teria desenrascado sozinha.
Em 1º lugar o acesso à feira tem rampas, sim é verdade, mas estas são um pouco inclinadas demais. As 1ªs que enfrentei consegui subir sozinha, com alguma dificuldade, mas lá as subi.
A 2ª já não fui capaz, mas o segurança que estava nos torniquetes de entrada foi um amor e, além de me passar para a frente das pessoas "normais" (que apesar de me verem na cadeira não se dignaram a dar passagem prioritária), tomou a liberdade de me levar até ao cimo da rampa... tenho pena de não ter anotado o seu nome para o mencionar aqui mas caso ele leia este post saberá que me refiro a ele.
Bom, rampas ultrapassadas vamos até ao interior da feira.
Julgo que li em qualquer lado que há países onde as pessoas estão habituadas a caminhar ordeiramente, como se estivessem a conduzir numa estrada de dois sentidos, um género de andar pela direita para seguir em frente, andar pela esquerda para seguir no sentido contrário, percebem o que quero dizer?
Se as pessoas seguissem esta ordem dentro da feira seria tudo muito mais organizado e evitaria que tivéssemos de fazer "prova de obstáculos" por entre as pessoas. Se tivessem sinais de STOP luminosos nas costas e "piscas" também ajudaria mas já é pedir demais lol :D
Seguinte! As "lombas"! Designo por "lombas" aqueles obstáculos criados no chão pelos pedaços de alcatifa ou mesmo linóleo que são colocados por cima dos cabos elétricos, para que as pessoas não tropecem neles, mas que para uma cadeira de rodas se torna uma montanha a ultrapassar.
Uma "montanha" ainda mais alta que as "lombas" anteriormente descritas são os próprios stands da feira, que na maioria só são possíveis de aceder se se subir o degrau que está à sua volta, ora isto é impossível ou quase impossível de fazer sozinha na cadeira.
Por último mas não menos importante quero falar sobre a comunicação.
Por mais simpáticas e atenciosas que sejam as pessoas que se encontram nos stands a atender o público em geral estes não estão habilitados a comunicar com pessoas surdas.
Não quero com isto dizer que as marcas devam colocar pessoal habilitado a comunicar por linguagem gestual mas sim que disponham de literatura completa sobre os seus produtos para distribuírem nestes casos.
Se não fosse a minha mãe a ouvir as explicações sobre os produtos e mais tarde, em casa, me transmitir essas mesmas explicações eu ficaria com os produtos na mão, a olhar para eles, sem saber como os utilizar!
Resumindo, acho que um espaço como a Exponor deverá no futuro ter mais em consideração as pessoas com entraves de mobilidade e comunicação...
Obrigado por me teres lido até aqui, até ao próximo post!
Beijinhos <3

12 comentários:

  1. Esperemos que na próxima hajam melhores condições, porque são pontos realmente a ter em conta :)
    Beijinhos,

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    1. Infelizmente não é só na Exponor...a maioria das vezes não nos apercebemos dos entraves que existem por este país fora.
      Beijinhos e obrigado por comentares <3

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  2. As minorias sofrem sempre. Os organizadores esqueçem é que essas minorias tem muito poder. Continua com a tua sinceridade que de certeza terás companhia nela,e talvez as coisas mudem, não de um momento para o outro, mas começa com um chamar de atenção que faça pensar.

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    1. Aos poucos as minorias vão fazendo mudar essas coisas. Um dia tudo será adaptado a todos ☺ obrigado por comentares. Beijinos

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  3. Têm toda a razão! As pessoas esquecem-se porque acham minoria não interessa mas não é bem assim. São pessoas, cidadãos, têm direitos. A Expocosmética é um exemplo do nosso Portugalinho, aqui em Guimarães para quem ande de cadeira de rodas, ou seja cego ou qualquer outro problema físico é uma desgraça, calçada portuguesa já bem velhinha, buracos, escadas por tudo que é sitio, é uma cidade linda mas ainda muito por evoluir assim como muitas outras cidades!!

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    1. Tens razão Cátia, sabias que o Centro Cultural de Belém não tem acessos para cadeiras de rodas? Que havemos de dizer de simples supermercados ou coisas assim por esse país fora!
      Obrigado pelo comentário ☺ beijinhos

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  4. O país não está preparado para a diferença, é assim em muitos lugares... Infelizmente!!

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    1. Eu confesso que nunca tinha dado grande importância a este assunto quando ainda era "normal", só me apercebi do grave problema que é após ter ficado em cadeira de rodas e os meus pais terem de me carregar escadas acima em certos locais como dentista e sítios desses...mesmo cá em casa tivemos de mandar fazer uma rampa de acesso...por acaso tivemos sítio onde a colocar senão teríamos de ter mudado de casa...enfim, Portugal no seu melhor, lol.
      Beijinhos <3

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  5. Fiquei triste em saber que um evento desses, não está devidamente preparado para a diferença. Alias neste país nada está preparado para isso. Fico triste por saber que há muitas pessoas que ficam em casa, porque não há adaptação para os mesmos.
    Mas fico feliz por não calares a tua voz e lutares pelos teus direitos. Porque afinal ter mobilidade é um direito como é reservado a qualquer um de nós.
    Um beijo querida, e espero mesmo que para o ano seja melhor nesse aspecto!

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    1. Se tudo continuar a correr como até aqui no próximo ano já não andarei de cadeira de rodas mas sim pelo meu pé mas mesmo assim fica ainda o problema da comunicação, a falta de informação escrita de modo a que pessoas surdas tenham acesso à informação sobre os produtos.
      Beijinhos linda, obrigado por comentares.

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  6. Gostei muito de ler. Fez-me pensar que nós, pessoas ditas normais, muitas vezes não nos apercebemos das dificuldades que as pessoas com mobilidade reduzida em vários sentidos. Obrigada pelo post. Muitas pessoas deveriam ler isto. Obrigada. Abriu-me os olhos também, embora eu tenha sempre em consideração e tento sempre ajudar as pessoas que encontro em dificuldade. Boa sorte e força! :) <3

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    1. Acredito que um dia tudo será diferente e que tudo vai estar adaptado a qualquer pessoa com mobilidade reduzida ou não :)
      Beijinhos e obrigado pelo comentário. <3

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