sábado, 9 de maio de 2015

O(a)s filho(a)s nos anos 80

Olá!
Estou de volta e melhorzita da gripe que me assaltou :)
Hoje o tema é a educação dos filhos nos dias que correm.
Faz-me confusão e tira-me do sério ver crianças a fazerem grandes birras no supermercado e os pais a olharem pró lado como se não fossem seus filhos, simplesmente deixando-os berrar.
Dá-me volta aos nervos ouvir acusações do tipo "uma palmada é agressão física!"
Não tenho filhos mas se os tivesse tentaria educa-los como fui educada, nunca os deixaria fazer birras barulhentas em locais públicos nem sequer em casa e, se necessário, levariam uma surra no rabo para aprenderem a ser educados e obedientes.
Claro que não iria desancar porrada neles até os pisar e não conseguirem andar!
Há o 8 e o 80!
Há uns dias recebi um email de uma pessoa amiga que espelha bem o meu modo de pensar sobre este assunto.
Vou transcrever aqui mais abaixo esse email.
E vocês? Têm filhos? O que fazem nestas situações? Desabafem comigo!
Beijinhos <3


O(a)s filho(a)s nos anos 80

Quando tu eras o(a) filho(a), tinhas aulas de manhã ou de tarde e no resto do tempo tinhas tempo para brincar, fazer os tpc, assistir ao início da RTP 2 para veres os desenhos animados importados da Europa e mais um par de coisas… até os teus pais chegarem a casa.
Agora que és o pai/a mãe, os teus filhos têm aulas de manhã e de tarde e ATL e actividades extra-curriculares e piano e inglês ou mandarim (ou os 2)…. Até tu os conseguires levar para casa.

Quando tu eras o(a) filho(a), bastava “aquele” olhar do teu pai/da tua mãe para tu voltares a fingir seres um anjinho.
Agora que és o pai/a mãe, já não consegues "só" olhar para os teus filhos, porque eles não vão ligar nenhuma. Tens de olhar, ameaçar, levantar a voz (assertivamente, defendes-te tu), negociar… para que os teus filhos finjam ser um anjinho.

Quando tu eras o(a) filho(a), não tinhas confiança suficiente com os teus pais para lhes responder "à letra", nem fazer perguntas incómodas… tudo por uma questão de respeito (ou medo de alguma mão mais pesada).
Agora que és o pai/a mãe, não ordenas nada aos teus filhos – quando muito argumentas, justificas, imploras. E questionas-te onde está o respeito que tu tanto sentias pelos teus pais e que não consegues ver nas tuas crias.

Quando tu eras o(a) filho(a), assistias a desenhos animados que eram uma autêntica chantagem emocional: era o Marco que tinha visto a mãe a partir, a Heidi que tinha ficado a viver numa montanha, isolada e sem notícias da mãe, a Candy Candy feita gata borralheira….  E mesmo inconscientemente tu imaginavas que, se o destino quisesse, tu poderias também ficar sem os teus pais.
Agora que és o pai/a mãe, percebes que os teus filhos assistem a desenhos animados em que pura e simplesmente já não há qualquer referência aos pais. É o caso do Jake e os Piratas da Terra do Nunca, ou os Caricas, ou a Casa do Mickey Mouse – tudo grupos de amigos, auto-suficientes, que não têm como temer a ausência dos pais – como? O que não existe não pode causar saudade!

Quando tu eras o(a) filho(a), conhecias toda a vizinhança do prédio, da rua e do bairro – e eras naturalmente conhecido(a como "o(a) filho(a) de…". O que levava a que os teus pais tivessem uma série de cúmplices na tua educação e controle.
Agora que és o pai/a mãe, nem tu conheces a vizinha do lado, quanto mais! Como é que podes confiar que o(a) teu(tua) filho(a) possa ter a chave de casa e brincar na rua com o(a) amiguinho(a) do prédio ao lado? Cujos familiares tu conheces muito vagamente e só do ambiente de reunião escolar!

Quando tu eras o(a) filho(a), ansiavas pelo teu aniversário ou pelo Natal ou pela Páscoa ou mesmo pela passagem de ano escolar para ver se tinhas direito a uma prenda. E estava bom! Ah, também não era mau quando revias a tua madrinha ou quando visitavas os teus avós, com sorte recebias uma nota de 500 escudos à socapa… que tu guardavas religiosamente no mealheiro.
Agora que és o pai/a mãe, sentes-te pressionada pelos teus filhos e sociedade e vizinhos e outros pais para comprar prendas e gadgets e programas de fins-de-semana (como idas ao lanche no shopping + cinema + jantar) a torto e a direito. E ainda comemoras se, do plafond diário que tens para gastos com as crias, consegues uma poupança de 20 cêntimos… que tu guardas religiosamente (até à próxima vez).

Quando tu eras a filha, a tua mãe chamava-te a atenção para tu agires como uma senhorinha. E para respeitares os mais velhos, a professora e ai de ti que pensasses sequer nalguma palavra feia, quanto mais dizê-la!
Agora que és a mãe, chamas a atenção da tua filha para, aos 8 anos, não agir tanto como uma senhorinha (unhas pintadas? Kit de maquilhagem para os anos??). E exiges aos outros que respeitem a tua filha (já o contrário…) e desculpas a sua má educação e prepotência pela possível hiperatividade… ou porque a criança "tem de mostrar a sua personalidade, é uma questão de liberdade" (eu dou-lhe a liberdade!).

Quando tu eras o(a) filho(a), os teus pais educavam-te como sabiam – e imaginavam ser o melhor. E tu obedecias e não ficavas traumatizada se levavas com algum berro, ou puxão de orelhas, ou fim-de-semana sem um bolo, ou uma palmada no rabo "no momento certo". E ninguém ficava melindrado nem se abriam telejornais a falar dos traumas para a vida.
Agora que és o pai/a mãe, levas a toda a hora com manuais de instruções sobre como educar os teus filhos. Ou alimentá-los. Ou vesti-los. Ou "amá-los" (really??). E tu tentas obedecer, para que eles "não fiquem traumatizados" – ou não te apontem o dedo por, se daqui por uns anos algum dos agora miúdos fizer uma asneira, tal decisão não tiver sido fruto de um ou outro raspanete que te atreveste a dar-lhes, aos 4 anos, após a birra no supermercado devido a um qualquer Lego ou Nancy.


Mas independentemente de algumas "falhas" na educação que os teus pais possam ter tido – e que tu possas ter, também.. Lembra-te: és o pai/a mãe. És quem testa neles os princípios que desejas que eles tenham e sigam. És quem abdica de alguns momentos em prol da sua existência. És quem mais sorri pela evolução dos teus infantes, e mais sofre por algum tropeço dado ao longo da vida. Por muitos defeitos que tenhas, és tu que vais servir de exemplo, de companhia, de ombro, de motivação.

2 comentários:

  1. Revejo-me bem nisto ou não fosse eu de 84. Ainda hoje o olhar do pai uiui e responder à letra jamais :D
    Nomeei-te para uma tag :9
    Beijinhos,

    A estrela sardenta | Realça a tua beleza c/ o Boticário

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também sou de 84 linda :) é pena que hoje em dia os filhos já não respeitam os pais... enfim!
      Vou ver o que tramaste para mim nessa TAG :D
      Obrigado krida, beijinhos.

      Eliminar